Memorial Santa Paulina e Capela Sagrada Família e Santa Paulina
O Memorial Santa Paulina e a Capela Sagrada Família e Santa Paulina formam um dos espaços religiosos e históricos mais singulares do Ipiranga. Instalado na Casa Geral da Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, o conjunto preserva a memória de Amábile Lúcia Visintainer, imigrante italiana que chegou ao Brasil ainda criança, fundou uma congregação religiosa e se tornou conhecida como Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus. Santa Paulina nasceu em 1865, na região do Trentino, na Itália, e imigrou com a família para Santa Catarina em 1875. Em 1890, em Nova Trento, participou da fundação da Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição. A ligação de Santa Paulina com São Paulo começou em 1903. Naquele ano, ela deixou Nova Trento e veio para o bairro do Ipiranga, onde a Congregação assumiu uma missão voltada ao cuidado de idosos ex-escravizados, crianças órfãs e pessoas pobres. O trabalho teve apoio do padre Luiz Maria Rossi e do conde José Vicente de Azevedo, personagem fundamental na criação de diversas instituições assistenciais e educacionais do Ipiranga. Sua trajetória, porém, não foi linear. Em 1909, Santa Paulina foi afastada da função de Superiora Geral e enviada para Bragança Paulista, onde trabalhou durante cerca de nove anos no atendimento a pessoas doentes e idosas. Em 1918, retornou à Casa Geral da Congregação, no Ipiranga, e permaneceu ali até sua morte, em 9 de julho de 1942. É justamente essa última fase de sua vida que torna o Memorial tão especial. O visitante encontra ambientes relacionados diretamente à sua rotina, objetos pessoais, fotografias, documentos, mobílias, peças religiosas e registros sobre a expansão da Congregação. Entre os espaços preservados está o quarto onde Santa Paulina morreu, além de um oratório relacionado às suas práticas religiosas e objetos utilizados em seu cotidiano. O Memorial está organizado em ambientes temáticos para apresentar tanto a vida da religiosa quanto a história da Congregação. Um dos aspectos mais marcantes de seus últimos anos foi sua condição de saúde. Santa Paulina sofreu complicações decorrentes do diabetes, teve o braço direito amputado e terminou a vida completamente cega. Mesmo assim, permaneceu envolvida em atividades simples dentro da Congregação. O Memorial preserva inclusive referências aos trabalhos manuais que realizava, como flores e terços. Após sua morte, sua história continuou ganhando projeção. Foi beatificada pelo Papa João Paulo II em 1991 e canonizada em 19 de maio de 2002. O Vaticano a identifica como a primeira santa do Brasil, embora tenha nascido na Itália e chegado ao país ainda criança. O Memorial atual foi inaugurado em 16 de dezembro de 2005, durante as comemorações dos 140 anos do nascimento de Santa Paulina. Em 2025, completou vinte anos de funcionamento. Sua proposta é preservar não apenas objetos religiosos, mas também a trajetória humana e social da fundadora e a expansão da Congregação criada por ela. Ao lado do Memorial encontra-se a Capela Sagrada Família e Santa Paulina. É nela que estão depositados os restos mortais da santa, transformando o local também em ponto de peregrinação. A Capela permanece ativa, recebe visitantes para oração e celebra missas regularmente. O próprio conjunto possui importância patrimonial para São Paulo. Em 2007, o CONPRESP determinou a preservação das características arquitetônicas externas da Capela e das edificações contíguas, além da relação do conjunto com jardins e passeios. Dessa forma, a visita também ajuda a compreender a formação do eixo de instituições religiosas, educacionais e assistenciais que marcou historicamente a Avenida Nazaré e o bairro do Ipiranga. Visitar o Memorial e a Capela, portanto, não precisa ser uma experiência exclusivamente religiosa. O lugar também permite conhecer a história de uma mulher imigrante, o trabalho assistencial realizado no Ipiranga após a abolição da escravidão e uma parte menos conhecida da formação social do bairro.
23°35'19"S 46°36'36"W
